Normalmente sinto sede de mudança.
Quero mudar tudo, desde mudanças internas, até a decoração do quarto.
Porém quando é chegada a hora de fazer uma mudança real, me apavoro.
Nunca quis mudar de casa, de rua, de nada.
Quero tudo que é meu do jeitinho que está.
Meu quarto pode ser pequeno, pode não ter aquela tal sacada para um jardim florido que eu tanto quero, minha casa pode não ter a tão sonhada piscina no fundos, uma entrada com caminho feito de grama, nem aquelas garagens estilo casa americana.
Mas se me perguntarem se eu quero mudar para a tal casa dos sonhos, numa cidade vizinha. Esqueça. Eu vou ficar por aqui mesmo!
Bom, é claro, se quiserem me dar um pózinho de pirimpimpim, que transforme minha casa nesse lugarzinho aí, eu ficaria mesmo muito grata. Mas tudo no mesmo lugar ok? Com o mesmo número, mesma localização dos cômodos...
Ah, não vou ficar aqui pra sempre, eu sei, vai chegar a hora de morar sozinha, começar a construir minha própria vida. Mas ainda é cedo, muito cedo, mesmo que com a chegada de 2007, o número 1 passará a não ser mais o primeiro algarismo da minha idade.
Mas quem se importa? Quem vai dizer se é cedo ou tarde, sou eu, não esses numerozinhos aí.
Estaria tudo ótimo e decidido, se eu não tivesse escolhido fazer faculdade em outra cidade.
É hora de cair na real: Vou precisar fazer estágio, cumprir hora extra curricular, e minha vida de viajante terá que ser deixada de lado.Terei que me mudar... É fato!
Mas ainda não descobri como fazer.
Chegar em casa e não ter meus pais me esperando pro almoço?
Entrar em crise quantos aos trabalhos, e não ter ninguém para não me deixar desistir?
Ninguém para me acordar e dizer que passou da hora de levantar?
E para ajudar, estar em outra cidade, em uma casa que não é a MINHA?

Não, não. Mudanças não foram feitas pra mim, não mesmo.
Bato o pé, quero levar minha casa e meus pais junto. Ou será que é pedir demais?




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