" Numa moldura clara e simples, eu sou aquilo que se vê..."
Fácil escrever sobre acontecimentos...
Fácil escrever de uma época, de amigos, escrever sobre a vida, sobre aquilo que te emociona, que te faz feliz.
Difícil é escrever de nós mesmos, sem medos e inibições. Escrever o que se é, ou o que a vida o tornou.
Nós somos o que queremos ser, e não o que realmente somos.
Eu sou tudo aquilo de belo e triste que vi, sou todos os risos e choros, sou toda a alegria e tristeza vivida. Sou um misto de todos os acontecimentos da vida.
Sou conseqüência daquela menina que um dia acordou, e viu cedo demais, que a vida nada mais é que um "ir e vir sem razão...". Tornei-me pura insegurança... Vivi anos com medo de perder, e na verdade assim vivo até hoje. A efemeridade da vida me assusta.
Sou aquilo que aprendi e admirei...
Admirei a prancheta de meu tio, sua borracha enorme e as horas que passava ali. Admirei os desenhos e versos de minha mãe. Era um mundo criado por eles, apenas com um lápis e um papel na mão. Então peguei minhas coisas e também criei o meu.
Um dia fui as músicas que minha tia cantava para eu dormir, fui as tardes de domingo na casa da vó e as brincadeiras de boneca com meu avô sentados no tapete da sala de estar, fui a ida a sorveteria com meus primos, o cuidado e dedicação total dos meus pais. Hoje sou família, sou tudo que eles me ensinaram.Sou ainda conseqüência da menina que apesar de amedrontada, criou forças e coragem para encarar os obstáculos, passei por experiências tão difíceis e tão fortes, experiências que tanto me fizeram aprender, amadurecer, e entender que a vida é um desafio a ser encarado, que não se pode pestanejar. E assim também aprendi a importância que uma mão amiga, uma palavra simples e sincera, pode ter. Aprendi a lição de que sozinho não se chega muito longe, às vezes a lugar algum.
Um misto enorme de experiências e sentimentos sobre o mundo.
Mas num repente descobri que mais do que conseqüência sou também escolha.
A vida contou histórias, coube a mim interpretá-las.
E hoje sou apenas eu, introspectiva, com mistérios e segredos, um alguém que aprendeu a amar a vida como ela é, que vê beleza nas coisas mais simples, que sente saudades, chora escondido, grita de raiva, esquece a hora, anda atrasada, que ama o que faz, erra e acerta, que pensa demais...
Sou menina, algumas vezes mulher, cheia de medos e incertezas, de perguntas sem respostas, mas sem receio de viver.
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