Acho que a gente cresce e vai deixando pedacinhos de nós mesmos pelo caminho.
A cada ano um pedacinho especial vai ficando pra trás, uma luzinha que ilumina nossa visão para o mundo é apagada.
Queria voltar a ter o olhar infantil, a inocência e a ilusão de que a vida é como nos contos de fada, se soubéssemos ver o mundo com olhos de criança, de certo seriamos mais felizes.
Há alguns(tá bom, muitos) anos atrás, para mim não havia data melhor e mais bonita que o Natal, nem o meu aniversário era tão fascinante! Havia toda uma magia por trás das coisas, e eu começava a ser feliz semanas antes:  As notas na escola anunciavam as férias, e era aí que o encanto começava; cantarolar músicas natalinas sentada no sofá da sala com meus pais, enfeitar a casa com luzinhas, cada ano um desenho diferente, ir ao Central Parque ver a decoração, e como aquelas casas me fascinavam, montar a árvore e pendurar enfeites de chocolate (que sempre acabavam bem antes da noite de natal).
As viagens para praia antecediam toda essa magia, meus olhos brilhavam ao fazer a mala, e colocar no porta-malas meu quite novo de baldinhos e pázinhas, e bem, se chovesse não havia de ser problema, nada que uma simpatia feita com sal, e água não trouxesse um lindo sol no dia seguinte.
Minhas viagens à praia nunca mais foram as mesmas depois que meu super quite foi deixado de lado, e depois que deixei de acreditar na simpatia do sol. Hoje, em minhas temporadas chove sem parar e não há nada que faça o sol se abrir para mim, resta-me apelar para a tal falta de sorte. Já o Natal de alguns anos pra cá tem perdido um pouco o brilho, e a magia, quase nem consigo sentir, mas ele continua o mesmo, as casas continuam iluminadas e muitas crianças ainda as olham fascinadas. A praia continua lá, os baldinhos e pazinhas continuam a ser vendidos em qualquer esquina. Quem mudou fui eu. Eu cresci.
E crescer é delicado, é dolorido, a gente vai deixando pelo caminho o que há de melhor em nós: nossas fantasias, aprendemos a ver o mundo com os olhos de um adulto.
Conselhos me dizem que amadurecer é preciso, mas quanto mais amadureço mais minha paixão pela vida e pelas coisas são deixadas de lado. Meu mundo não é mais cor-de-rosa choque, tem tons pastéis.
Acho mesmo que é o amadurecimento que nos trás tantos problemas, o conselho deveria ser outro, mais simples, menos dolorido: resgatemos as pressas o que ainda há dentro de nós da criança que fomos um dia, o brilho, a magia e o encanto.




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